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O artigo abaixo é de um jovem de 14 anos, VINÍCIUS GUSSON BERGO, filho de nosso colega militante Armando Bergo Neto.
Ética: ter ou não ser
A ética é um tema muito complexo e sempre
causou discussões, desde a época dos grandes pensadores gregos, há
mais de 2000 anos. A função da ética é estudar e analisar criticamente
o comportamento humano, a moral.
O ser humano não nasce adaptado ao
contexto ético, nem moral, pois não é de seu instinto. Porém, desde
que o homem passou a viver em grupos surgiu a necessidade de que se
criassem regras para tornar possível o convívio entre as pessoas.
Esses princípios criadores na sociedade
foram evoluindo, justamente com a tecnologia e com as alterações no
modo de vida e rotina da população. Entretanto, muitas vezes a ética
ficou perdida pelo caminho, não evoluindo ao mesmo nível da moral.
O resultado é que hoje vivemos muito
próximos a um colapso ético, não havendo mais a contestação do que é
certo e o que é errado. Como dizia o poeta: “o tempo não pára” e com
isso a ética vai se distanciando gradativamente.
Corrupção, desonestidade, individualismo,
materialismo, falta de respeito e compaixão, tudo se tornou “normal”,
muitos dizem “é inevitável”. É inevitável se não contestarmos. Hoje
temos na política, na ciência, no trabalho, no trânsito, até na
igreja, na sociedade em geral, um grande exemplo de falta de moral e
antiética.
Na ficção também temos exemplos dessa
triste realidade. No livro Frankenstein, de Mary Shelley, quando o
cientista Victor cria um ser (monstro) ele está infringindo as leis da
natureza e, automaticamente, sendo antiético, pois não analisa o que
está fazendo, se sentindo o ser criador.
Coincidência, ou não, ele acaba sofrendo
muito, após agir desta maneira e é o que acontece com nosso país hoje,
onde todos, ou quase todos, deixam a ética e os valores de lado para
ir em busca do dinheiro, o que mais uma vez é antiético.
O capitalismo e consumismo agravaram os
problemas aqui já citados. Isso se deve ao fato de que o materialismo
segue caminho oposto ao humanismo. As próprias crianças, atualmente,
não se importam com os valores humanos transmitidos pelos pais, e sim
com os presentes caros que vão ganhar, formando assim mais uma geração
de imorais e antiéticos.
No cotidiano, a falta de ética nos
circunda com pessoas que querem levar vantagem
preferem encarar filas gigantescas ou burlá-las para serem atendidos
mais rapidamente? Preferem ceder seu assento a uma senhora idosa, no
ônibus, ou permanecerem sentados?
A perspectiva para o futuro assusta, mas
se começarmos a cultivar o amor e a educação, conseguiremos reverter a
situação transformando nossa nação em um lugar bom e ético para viver.
VINÍCIUS GUSSON BERGO
Aluno da 8ª. série do ensino fundamental
Escola Salesiana São José de Campinas/SP